A cidade

História

Conforme os documentos históricos, o território que hoje forma o município de Lajedo compreendia a “Fazenda Cágado”, de propriedade do Sr. Vicente Ferreira e seu Filho Barão Cazuza. Seu primeiro registro como território foi em 30 de abril de 1860, sob efeito da sanção da Lei Provincial de 30 de abril de 1860, que criou o município de São Bento do Una. Lajedo passou a integrar o espaço territorial como povoado do novo município.

Em 28 de junho de 1890 o povoado “Volta do Canhoto”, integrante do município de São Bento do Una, alcança sua autonomia político-administrativa. Havendo a divisão das terras, Lajedo, passa a fazer parte do território geográfico do novo município nominado de Canhotinho.

Em 24 de dezembro de 1948 o governador de Pernambuco sancionou a Lei nº 377, emancipando, então, Lajedo do município de Canhotinho. Esse acontecimento é comemorado no dia 19 de maio, data em que foram empossadas as primeiras autoridades eleitas.

Um fato inédito para a história de Lajedo descoberto em minhas pesquisas, é que antes de ser povoado dos municípios de São Bento do Una e Canhotinho, Lajedo foi integrante do território do município de Garanhuns, e pela data, foi provavelmente quando Lajedo ainda era uma fazenda.

Observemos algumas citações retiradas do livro: “História de Garanhuns”, do autor Alfredo Leite Cavalcanti:

“Foi criado o município de São Bento do Una em 30 de abril de 1860 e instalado em 06 de fevereiro do ano seguinte, dando lugar ao desmembramento não somente do seu território, como do atual município de Lajedo, a maior parte de Canhotinho e grande parte de Angelim, do território de Garanhuns” (Pag. 121)

LEITE, Alfredo. História de Garanhuns. 2ª ed. Garanhuns: Biblioteca Pernambucana de História Municipal, 1983.

“Tempos depois o município de Lajedo foi constituído de um dos distritos de Canhotinho, de que se desmembrou, quando foi também elevado à categoria de município em 24 de dezembro de 1948”.

“A cidade sede do município tem progredido e de tal como vem prosperando que, atualmente, já se colocou a frente do desenvolvimento de outras comunas, não só quanto ao comércio, lavoura e pecuária, mas, sobretudo no que diz respeito ao acentuado progresso do meio social e religioso, além dos melhoramentos públicos.”

(Pag.172 e 173. Capitulo XII – Povoações formadas em sítios na sesmaria dos Vieira de Melo, e que são cidades e sede de municípios). LEITE, Alfredo. História de Garanhuns. 2ª ed. Garanhuns: Biblioteca Pernambucana de História Municipal, 1983.

Essas citações extraídas do livro: História de Garanhuns, do autor Alfredo Cavalcanti Leite, comprova essa importante descoberta sobre o passado remoto de Lajedo.

Emancipação Política de Lajedo/PE

A intenção de independência política de povoados e vilas geralmente se dá por fatores muito parecidos nos municípios brasileiros. Os mais comuns são o descaso por parte da administração do município a que pertence, o aumento da população local e a forte atividade econômica.

O descaso por parte da administração de Canhotinho e a forte atividade econômica do povoado de Lajedo foram os fatores primordiais para despertar na população local a intenção de alcançar a independência política.

Um exemplo do descaso com o povoado foi visto pelo jovem médico Antônio Dourado no ano de 1944. O doutor Dourado, como ficou depois conhecido na cidade, estava nas proximidades da atual Igreja Matriz de Santo Antônio esperando a chuva passar, quando presenciou um grave problema: a chuva arrastava muito entulho e restos mortais do cemitério, na época situado nas imediações da atual Avenida Dezenove de Maio. O problema foi ignorado por muitos anos pela administração de Canhotinho, mas Antônio Dourado, enquanto médico e preocupado com o problema, procurou o prefeito para narrar os acontecimentos e expôs o perigo que representavam à saúde pública dos moradores do povoado, pedindo solução para o problema.

Sem hesitar, o prefeito Eugênio Tavares de Miranda assegurou a construção de um novo cemitério na vila e lhe pediu para administrar a obra. Doutor Dourado aceitou a proposta. Um homem conhecido como Pai João doou o terreno para a construção do cemitério e o nomeou de Santo Inácio. O antigo cemitério foi demolido.

Esse acontecimento motivou Antônio Dourado a pleitear o cargo de prefeito de Canhotinho nas eleições de 1946. Se eleito, seria positivo para Lajedo, pois, com o prefeito residindo no povoado, este receberia uma atenção especial da administração municipal.

Antônio Dourado foi eleito. No entanto, seu adversário político conseguiu a impugnação da eleição com a anulação de duas urnas, revertendo, assim, o quadro político com uma diferença de quatro votos. Como estava a cargo do governador do estado nomear o prefeito eleito, sentindo-se prejudicado, Antônio Dourado procurou o governador Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho para explicar os acontecimentos. Barbosa Sobrinho, porém, aconselhou-o a não levar à frente seu empenho pela prefeitura de Canhotinho por se tratar de processo judicial muito complicado. Na verdade, orientou-o a trabalhar pela independência política de Lajedo.

Antônio de Sousa Vilaça, quando seminarista na cidade de Garanhuns, exerceu influência para a criação da paróquia de Lajedo, bem como para a sua independência política. Heráclio de Moraes do Rêgo, filho do coronel Francisco Heráclio do Rêgo (Chico Heráclio), era deputado estadual, grande proprietário de terras, além de exercer forte influência política na cidade de Limoeiro. Como Antônio de Sousa Vilaça gozava da amizade de Heráclio do Rêgo, fez um pedido para que este apresentasse na Assembleia Legislativa um projeto de lei solicitando a independência política do distrito de Lajedo, já que seu amigo tinha boa influência política.

Heráclio de Moraes do Rêgo apresentou o projeto de lei nº 66, solicitando a criação do município de Lajedo. Em 7 de junho de 1948 o projeto foi aprovado e decretado pela Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco.

O projeto de lei de emancipação política do distrito de Lajedo dá ênfase à forte economia do local. A localização estratégica, o número de habitantes e prédios, dentre outras vantagens que se enquadravam na lei de organização municipal, eram exigências para a criação de um município.

Em 24 de dezembro de 1948 o governador de Pernambuco sancionou a Lei nº 377, emancipando, então, Lajedo de Canhotinho,

Lei nº 377, de 24 de dezembro de 1948,
Cria o município de Lajêdo:

O Governador do Estado de Pernambuco:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte resolução:

Art. 1º é criado o município de Lajêdo com os mesmos limites do distrito

Art. 2º revogam-se as disposições em contrário.

Palácio do Governo, em 24 de dezembro de 1948.

Ass:) Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho

Dirceu Ferreira Borges

Como comprovam os dados históricos, Antônio de Sousa Vilaça foi o principal líder que influenciou a emancipação política de Lajedo. No entanto, Antônio Dourado Cavalcanti teve sua parcela de contribuição nesse processo, conforme afirma Antônio Vilaça em seu livro Memórias.

Era deputado estadual Heráclio do Rêgo e a meu pedido ele apresentou à câmara projeto que se tornou vitorioso. A Lei 377, de 24 de dezembro de 1948, assinada pelo governador Barbosa Lima Sobrinho desmembrou o distrito de Lajedo do município de Canhotinho. No ano seguinte, a 19 de janeiro Guilhermino Virgulino de Sobral (meu pai) assumia as funções de primeiro prefeito do novo município. Justo reconhecer o trabalho do Dr. Armando Monteiro (sênior) ao tempo, também deputado estadual e do seu cunhado, o Dr. Antônio Dourado Cavalcanti, médico da localidade. (VILAÇA, 1978, p. 152).

Esses dados, embasados em importantes documentos históricos, são importantes para esclarecer alguns equívocos, os quais atribuem a independência política de Lajedo apenas ao trabalho do médico Antônio Dourado Cavalcanti.

Guilhermino Virgulino de Sobral, pai de Antônio de Sousa Vilaça, foi nomeado pelo governador prefeito interino no dia 12 de janeiro de 1949. Uma semana depois ele assumiu o cargo. Sua primeira ação como prefeito foi providenciar um prédio para o funcionamento da sede da prefeitura, mas não havia um local para instalá-la. Como ao lado de sua casa havia um depósito onde armazenava a safra, Virgulino resolveu desocupar o armazém para que a prefeitura funcionasse ali.

Os primeiros funcionários públicos nomeados foram os seguintes:

  • Tesoureiro: José Paulo Barbosa;
  • Secretário: José Vieira da Silva;
  • Agente arrecadador: Antônio Francisco Galdino;
  • Escriturária: Elizabete Gomes;
  • Arquiteto: João Antônio de Medeiros;
  • Fiscal geral: Cassimiro Carlos Barbosa;
  • Porteiro: Antônio Caetano dos Santos.

A Primeira Eleição

A primeira eleição de Lajedo aconteceu no dia 8 de maio de 1949. Os primeiros candidatos a prefeito foram:

  • José Nonato de Oliveira (PSD – Partido Social Democrático);
  • Francisco Cordeiro Magalhães (UDN – União Democrática Nacional).

O eleito no pleito municipal foi José Nonato de Oliveira, como prefeito, e Simpliciano Cardoso da Silva, como vice-prefeito. Os vereadores foram os seguintes:

  • Adalberto de Castro Barreto;
  • Estefânia Costa Crespo;
  • Arlindo Ferreira da Silva;
  • Francisco Manoel de Torres;
  • Antônio Paulo Barbosa;
  • José de Andrade Amaral;
  • Clementino Francisco de Lima;
  • José Jordão Sobrinho;
  • Manoel Vieira de Melo.

Posse das primeiras autoridades eleitas

Em 19 de maio de 1949, data em que é comemorada a emancipação política de Lajedo, aconteceu a posse dos eleitos no pleito municipal. O presidente da Câmara, Adalberto de Castro Barreto, foi substituído pelo período de dezessete dias por José de Andrade Amaral, para assumir o cargo de prefeito. Quando o novo prédio da prefeitura e a festa de posse do prefeito José Nonato de Oliveira estivessem prontos, Adalberto voltaria a ocupar o cargo na Câmara.

Foi no dia 5 de junho de 1949 que o prefeito José Nonato de Oliveira e o vice-prefeito Simpliciano Cardoso da Silva foram empossados.

Galeria do Poder Executivo de Lajedo:

  • De 19/01/1949 a 19/05/1949: Guilhermino Virgulino de Sobral (interino);
  • De 19/05/1949 a 05/06/1949: Adalberto de Castro Barreto;
  • De 19/05/1949 a 19/05/1953: José Nonato de Oliveira;
  • De 19/05/1953 a 19/05/1957: Antônio Dourado Cavalcanti;
  • De 19/05/1957 a 19/05/1961: José Firmino Burgos;
  • De 19/05/1961 a 19/05/1965: Francisco Ferreira Rosa;
  • De 25/04/1965 a 19/05/1965: Arlindo Ferreira da Silva;
  • De 19/05/1965 a 30/01/1970: Clementino Francisco de Lima;
  • De 30/01/1970 a 31/01/1973: Francisco Manoel de Torres;
  • De 31/01/1973 a 31/01/1977: José Ferreira Rosa;
  • De 31/01/1977 a 31/01/1983: Lídio Cosme da Silva;
  • De 31/01/1983 a 01/01/1989: Adelmo Duarte Ribeiro;
  • De 01/01/1989 a 01/01/1993: Lídio Cosme da Silva;
  • De 01/01/1993 a 01/01/1997: Adelmo Duarte Ribeiro;
  • De 01/01/1997 a 01/01/2001: Antônio João Dourado;
  • De 01/01/2001 a 01/01/2005: Antônio João Dourado;
  • De 01/01/2005 a 01/01/2009: Rômulo Nunes Maia;
  • De 01/01/2009 a 01/01/2013: Antônio João Dourado;
  • De 31/03/2012 a 01/01/2013: Juvenal Inácio da Silva;
  • De 01/01/2013 a 01/01/2017: Rossine Blesmany dos Santos Cordeiro;
  • De 01/01/2017 a 01/01/2021: Rossine Blesmany dos Santos Cordeiro;
  • De 01/01/2021 a 01/01/2025: Adelmo Duarte Ribeiro – Prefeito atual.

Bandeira Municipal

A Bandeira de Lajedo foi instituída pela Lei Municipal nº 345, de 17 de novembro de 1966, e sancionada em 2 de abril de 1974.

No lado esquerdo fica o verde; no direito, o vermelho. Ambos representam a esperança em dias melhores e o ardor das lutas travadas em prol da independência política. A esfera branca, ao centro, representa a paz, simbolizando a índole pacífica do povo. Em seu interior há o brasão.

Brasão de Lajedo

O Brasão de Lajedo foi instituído por Lei Municipal em 17 de novembro de 1966 e decretado em 2 de abril de 1974, o mesmo que instituiu a bandeira municipal. Consta um escudo em cujo interior são representadas as principais culturas agrícolas da região, como o milho e a mandioca. Ao fundo um sol nascente representando os escaldantes verões do Nordeste. Abaixo há os lajedos, simbolizando a formação natural que deu origem ao nome do município, ladeados por plantas cactáceas representando os campos agrestinos.

Acima do escudo fica uma ameia em amarelo com a data de 1949, ano da emancipação política. Abaixo, tem-se uma faixa amarela com o nome do município. O brasão encontra-se ao centro da Bandeira Municipal.

Hino de Lajedo

O Hino de Lajedo foi instituído pela Lei Municipal nº 345, de 17 de novembro de 1966. Sancionada em 7 de setembro de 1974, através do decreto de nº 06/74, a letra do hino é uma composição do escritor Antônio de Oliveira e Silva. A música de “Canção Para Minha Terra” é do tenente da Polícia Militar de Pernambuco, Joaquim Viana Sobrinho.

Canção Para Minha Terra
(Decreto nº 6/74 – 07-09-1974)

I

Sobre a gleba do agreste eis ufana,
Despertando ao fragor das pedreiras,
Em promessas viris e altaneiras
Quando em jorros de luz se inflama:

(Coro) É Lajedo esculpida na penha,
Sob o sol de escaldante verão,
Cujos sons reboando nas brenhas
No risonho porvir se ouvirão.

II

Forte e brava escreveu tua gente
Com vigor e denodo esta história
De renúncia, conquistas e de glória
Que nas lides do agora é presente.

(Coro) É Lajedo de humildes obreiros
Que a vileza servil não corrói
Povo probo de olhar sobranceiro,
De almas simples e fibras de herói.

III

Do progresso és visão de grandeza,
Do saber és gentil guardiã
Dando aos teus a mais pura certeza
De feliz, venturo amanhã.

(Coro) É Lajedo do livro e do malho,
Da escola que ilustra e seduz,
Do fecundo suor do trabalho
Transmudado em searas de luz!

IV

Tens no céu que em ti se alcandora
Refulgente de graça o cruzeiro…
E é nas asas do vento que aflora
Como em prece a canção dos coqueiros.

(Coro) É Lajedo – poesia na rocha!
É Lajedo – cantada e louvor
Onde o lírio da paz desabrocha,
É Lajedo – epopeia de amor.

Feriados Municipais

Em âmbito municipal há dois feriados por ano, que são os seguintes:

  • 19 de maio – Emancipação Política de Lajedo;
  • 13 de junho – Dia de Santo Antônio, padroeiro de Lajedo.

Identificação

O CEP (Código de Endereçamento Postal) é um conjunto numérico constituído de oito algarismos, cujo objetivo principal é orientar e acelerar o encaminhamento, o tratamento e a distribuição de objetos de correspondência. Tem por finalidade racionalizar os métodos de separação da correspondência por meio da simplificação dos processos de triagem, encaminhamento e distribuição, permitindo o tratamento mecanizado com a utilização de equipamentos eletrônicos de triagem. O CEP de Lajedo é 55385-000.

Textos retirados dos livros sobre Lajedo de Paulo Henrique Dias dos Santos, conheça os trabalhos de Paulo Henrique e seu projeto com o Museu Lajedense. Fontes:

SANTOS, Paulo Henrique Dias dos. Lajedo/Uma História de Lutas, Conquistas e Glórias/ 1. ed – Recife: Edição do autor,  2013.

SANTOS, Paulo Henrique Dias dos. Documentos e fotografias históricas de Lajedo / 1. ed. – Recife: EDUFRPE, 2017.

SANTOS, Paulo Henrique Dias dos. Lajedo, meu pedaço de chão / 1. ed – Recife: EDUFRPE, 2019.

Museu Lajedense: Acesse Clicando aqui

O que a prefeitura tem feito pelo lajedense?

Saúde Meio Ambiente Infraestrutura Cultura e Esporte Educação Assistência Social